sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Campanha Voto Nulo

Hoje a noite a Rede Globo de Televisão realizará o último debate de todos os tempos da campanha de 2014. Hoje, também termina toda e qualquer propaganda eleitoral na rádio e na TV. A campanha, infelizmente, não vai acabar no único lugar em que ela jamais deveria ter começado: no Facebook. Lá, provavelmente o debate prosseguirá por toda a eternidade, até que uma nova polêmica merda seja criada.

Vocês já sabem o que esperar desses últimos encontros midiáticos. Dois candidatos tentando se mostrar como dois lados completamente opostos, tentando encarnar o mal e o bem. Um dirá que o Brasil estava chafurdado em fezes suínas até ele ter assumido o poder e transformado o país no paraíso prometido em alguma passagem bíblica. O outro dirá que nós vivíamos num arco-íris colorido onde jorrava nutella do céu, até que o Mal tomou o poder e desencaminhou o país para o mau caminho.

Nisso tudo, você sentirá a falta de um elemento importante: alguém que defenda os votos em branco e os votos nulos, duas opções democraticamente legítimas que jamais são defendidas em campanhas na TV e nos debates. Opções que se constituem em verdadeiros fenômenos.

Veja você que o Zé Maria sempre irá reclamar da falta de espaço na mídia burguesa e que por isso ele não vai além dos 91.209 votos que ele recebeu no último dia 5 de outubro. Pois, sem ninguém para defender os votos nulos em lugar nenhum, 6.678.592 brasileiros decidiram anular seus votos para presidente. Outros 4.420.489 votaram em branco. Isso supera em muito os votos que Luciana Genro, a quarta colocada, alcançou. Se os votos brancos e nulos fossem defendidos na televisão, eles poderiam, quem sabe, encostar nos 22 milhões de votos que Marina Silva recebeu.

Uma campanha pelo voto em branco não daria muito certo,
porque ela seria considerada racista
Os votos brancos e nulos conseguiram a terceira colocação para governador em Santa Catarina, em São Paulo, em Minas Gerais, Bahia, Sergipe, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Maranhão, Tocantins, Mato Grosso e Pará. No Rio de Janeiro, eles ocuparam a 2ª colocação. Aliás, no RJ, se somarmos as abstenções, descobriremos que mais pessoas preferiram não votar em ninguém do que votar no primeiro colocado. Assim sendo, ao invés de um segundo turno entre Pezão e Crivella, os fluminenses deveriam estar escolhendo se preferiam o Pezão ou a ausência de poder.

Nos debates desse segundo turno, deveríamos ter os dois candidatos, mais um terceiro cidadão, defendendo que o voto fosse anulado. Ele funcionaria como uma espécie de ombudsman e ao final de cada bloco pontuaria que os dois só falam besteira e que o eleitor consciente, o eleitor de bem, não vai querer se comprometer com nenhum desses projetos e por isso vai anular o seu voto no dia 26 de outubro. Ele apontaria quais deveriam ser as boas propostas e na ausência delas, dia 26 é dia de votar 00.

A propaganda na televisão contaria com algum jingle e imagens das pessoas felizes declarando que anulariam seu voto. Depoimentos de pessoas declarando porque irão anular o seu voto. Sim, eu sei que seria difícil convencer algum pirocudão da MPB a falar que anula seu voto, então, poderíamos conseguir depoimentos alternativos.

Ao invés do Neymar, Zé Alcindo, reserva do Grêmio campeão brasileiro de 1996 diria que anula seu
"Faça como o Moreno e vote em branco", ou
ainda "seja nulo como o Moreno"
voto. Teríamos outros esportistas, como o Pampa, medalha de ouro no vôlei nas Olimpíadas de 1992, algum participante do triatlo nos jogos pan-americanos de Santo Domingo, e, principalmente, Roberto Pupo Moreno.

A apresentação do programa seria feito por Celso Portioli que entrevistaria ex-paquitos contando como o voto nulo contribui para a saúde mental. O jingle seria cantado por Maurício Manieri, Jorge Vercilio, o saxofonista do Kid Abelha, o baixista do Legião Urbana e integrantes dos Engenheiros do Hawaii. O cara do Polegar foi descartado porque ele apareceu estar meio pilhado.

Receberíamos apoios internacionais, como o de ex-integrantes do Village People e aquele cara que foi derrotado pelo Rocky Balboa, no Rocky V, se lembram? O cara era aluno do Rocky, traiu o garanhão italiano e acabou apanhando feio em uma briga de rua no pior filme de toda a trilogia dupla.

Com sorte, Nana Gouvea e o Rei do Camarote agregariam valor a campanha do voto nulo, mas acho que ele já deve estar votando no Aécio. Por isso, dia 26 vote 26.

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