sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Slogan & Jingle

Imagino que assim que o cidadão resolve se candidatar a algum cargo político, ele se reúne com sua equipe e define: precisamos de um slogan, precisamos de um jingle. Se o candidato não tiver um bom rótulo e uma música marcante, que grude na cabeça dos eleitores, ele estará fatalmente destinado ao fracasso.

O slogan não é muito difícil. Basta fazer uma pesquisa qualitativa para aferir quais são as palavras que os eleitores identificam nele. Lealdade, Amizade, Honestidade, Confiança, Trabalho, Força, Foco, Fé, No Pain No Gain, Compromisso, Luta, Liderança, Carinho, Amor, Sexo Casual, Família, Satanás, Coprofagia, enfim. Junte duas delas e mais uma palavra que resuma o que o povo quer e pronto. "Trabalho e Compromisso para mudar o Brasil", ou "Fé e Sexo Casual para fazer ainda mais".

O jingle é um pouco mais complexo. Não vamos negar. Um bom jingle fica grudado em nossas cabeças e tem uma incrível capacidade de se perpetuar através das gerações. Aqui em Mato Grosso todos nos lembramos daquele que estava na palma da mão, nacionalmente temos o sucesso do Lula-lá e, principalmente, de ey-ey-Eymael, o democrata cristão. Provavelmente a maior canção de todos os tempos, digna de um Lennon/McCartney.

As letras de todos os jingles são basicamente iguais. Eles destacam as palavras chaves já citadas na hora do slogan, ressaltam a trajetória da vida do candidato e desemboca num refrão que foca no nome e no número, trazendo uma aura de desejo popular sobre o candidato.

A grande diferença fica nos ritmos. O ritmo escolhido vai diretamente ao encontro do público alvo do candidato. Nacionalmente, aqueles que tem grande rejeição no nordeste acabam buscando apoio no forró ou no Axé. Mas, percebo que o sertanejo é uma escolha natural, uma vez que ele é o ritmo que tem dominado o Brasil ultimamente.

Também temos os regionalismos. Aqui em Mato Grosso, vários candidatos apostam num jingle em ritmo de Rasqueado, ou Lambadão. Incluindo aí a histórica figura do Procurador Mauro, do PSOL. Uma figura ainda mais impressionante quando descobrimos que ele compõe seus próprios jingles e grava as músicas com sua banda de lambadão.

Mas, ao CH3 cabe o papel de estimular a renovanção, a mudança, a atitude, a coragem. Propomos que candidatos adotem ritmos diferentes para seus jingles eleitorais.

Porque não um jingle ao ritmo do metal melódico? Algo como:
"Por detrás das montanhas enevoadas
Surgiu meu candidato
Seu caminho estava traçado
Para lutar contra as forças das trevas
Entre duendes e criaturas do mal
Ele se destacou
O sangue dos seus inimigos ele derramou
Odin o abençou
E agora ele conduzirá seu povo a glória eterna"

Não seria ótimo? Você não votaria num candidato desse? Podemos imaginá-lo vestido de preto, num clipe cheio de chroma-key e efeitos sensacionais.

Outra boa possibilidade é um jingle bossa nova.
"No carnaval ou no Réveillon
Sempre vejo meu candidato no Leblon
Um barquinho e um violão
Canto para ele esta canção
Sua estrela vai brilhar no infinito
As morenas estão votando
Seu caminhar vai requebrando
Nesse candidato eu acredito"

Chamaríamos Manoel Carlos para escrever os roteiros do Programa Eleitoral e acredito que seria um sucesso danado.

E um jingle no ritmo do funk?!
"As pesquisas já mostraram
Nossos adversários estão no chão (chão, chão, chã-chã-chão)
Nosso candidato só sobe
Vai ganhar essa eleição
As inimigas ficam loucas
Se mordem de inveja
Meu candidato tá de boa
O bonde dele só acerta"

Aposto, que as campanhas eleitorais ficariam muito melhores.

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