segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Porque o Orkut vai acabar?

Você com certeza já deve ter se perguntando, ao ler tantos textos saudosistas por aí: afinal, se o Orkut era e ainda é tão bom assim, porque todos o abandonaram e porquê ele vai acabar? Vivemos em uma era em que o compromisso com a qualidade é essencial e, assim sendo, um produto que é pintado como sendo tão brilhante quanto o Orkut deveria resistir.

A resposta para o fim do Orkut não é assim tão simples. Em primeiro lugar, podemos dizer que o Orkut é tão bom quanto um filme do Zé do Caixão, ou as músicas do Jordy. Há uma ruindade latente em sua essência, mas essa ruindade é que é o seu charme. Seus gifs coloridos, seus erros com mensagens nonsense sobre rosquinhas.

Poderia aqui dizer que o Orkut está acabando por ser uma rede social a frente do seu tempo. Como já foi dito por aqui, seu foco estava no debate de ideias. Vivemos numa época em que ninguém quer debater nada, queremos apenas curtir e zoar. Você quer discutir a campanha presidencial ou quer curtir a foto do candidato beijando criancinhas? Muito melhor curtir a foto e, se for o caso, deixar um comentário aleatório ao vento. O Facebook é o retrato dos nossos tempos.

Mas, essa razão pode ser muito subjetiva, afinal, os debates do Orkut não tinham exatamente um grande nível técnico. No fundo, ele se parecia com uma grande e interminável área de comentários do G1. E isso pode ter contribuído para o seu fim, apesar de que, o G1 segue aí, firme e forte com comentários extremistas em todas as notícias.

A grande verdade, a grande razão para o fim do Orkut terminar me parece apenas uma: os nossos pais chegaram até lá. Sim, uma rede social começa a morrer no momento em que nossos pais chegam nela. Isso é um ciclo natural, um dia - este dia está próximo - nós é que seremos os pais estragando as redes sociais dos nossos filhos e, pelo jeito que as coisas vão, não quero nem imaginar como é que vão ser as redes sociais dos nossos filhos, mas aposto que vão ter botões como "chupava todinha".

Você pode questionar que os pais também estão no Facebook e que ele está aí resistindo. Bem, em termos sim. Mas, o Facebook está predominando na vida do brasileiro a mais ou menos uns quatro ou cinco anos. O Orkut também resistiu esse tempo todo, até que em 2009 o processo de migração se intensificou e mesmo quem ainda gostava do Orkut não teve outra alternativa para ver as fotos das amigas de biquíni. Quanto tempo o Facebook ainda irá resistir? Muito já se falou sobre o seu processo de Orkutização e todos concordam que ele anda chato para caramba. Falaram na sua substituição pelo Instagram - a meca do niilismo  - mas que este já está Orkutizado. O fato, é que a vida é orkutizada e nós não percebemos.

Enfim, voltamos aos nossos pais. Ninguém conseguiu resistir lá a partir do momento em que seus pais começaram a monitorar sua vida e fazer comentários desconexos nas comunidades em que você participava. Achava que estava livre para fazer alguma coisa na comunidade "Eu já matei aula"? Sua mãe estava lá dizendo que estava decepcionada com você e a única alternativa era o Orkuticídio.
E se sua mãe fosse Nazareth Tedesco?

No Facebook, seus pais não vão checar sua vida em comunidade e eles também já estão mais acostumados com esse mundo virtual e não vão te fazer passar tanta vergonha. Você também já está mais maduro, já sabe lidar melhor quando sua mãe te chama de "minha vida" numa foto em que você foi marcado por um amigo.

Ah, acho que o Orkut também acabou porque ele não monitorava tanto a sua vida tentando te vender produtos. Acho que Buyú jamais vendeu seus dados para o Obama. E olha, saber quem você queria pegar e quantos coraçõezinhos você deu para alguma pessoa já podia ser uma informação e tanto.

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