sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Propaganda Eleitoral

Se para algumas pessoas ele é uma verdadeira tortura mental, o programa eleitoral gratuito é visto como fonte de diversão para tantas outras. As propagandas para os cargos majoritários são geralmente enfadonhas, exceção feita aos VTs do patriota Eymael e seu apego a constituição. Não dá para aguentar os presidenciáveis com discursos emotivos sobre uma trilha sonora de romance hollywoodiano.

A graça, na verdade, está nas propagandas para deputados. Ali sim, vemos centenas, milhares de candidatos, duelando numa selva em que cada um tem cerca de quinze segundos para aparecer, outros ainda menos, outros menos ainda, alguns só aparecem a foto e o número com um locutor dizendo o nome e número mais rápido do que o cara que diz “ao persistirem os sintomas, o médico deverá ser consultado”.

Justamente neste ringue de gladiadores é que aparecem os candidatos diferentes, aqueles que precisam chamar a atenção do eleitor desatento, para fixar seu nome em busca de um voto. A estratégia mais utilizada é focar em palavras e temas chaves como “defesa da família”, “renovação política”, e os tradicionais “segurança, saúde e educação”. Há, também, aqueles que se vestem de palhaço, armam superproduções toscas e chamam a atenção pelo bizarro. Esses são os melhores.

Como ainda falta um pouco mais de vinte dias para as eleições, o CH3 dá uma série de dicas de temas e maneiras de chamar a atenção, ajudando os candidatos que ainda buscam seu espaço ao sol.

Ajuda Luciano
Realizar o desafio do balde do gelo durante os 15 segundos do VT teria sido uma grande ideia duas semanas atrás. O candidato que derrubou gelo no próprio corpo no programa eleitoral sairia em todos os portais e teria alguma chance de ser eleito, quem sabe. Hoje essa moda já passou e é preciso ficar atento ao Instagram do Luciano Huck para saber qual é a tendência do momento, e pelo jeito, ela é a de fazer a selfie com a galera.

O candidato também poderia defender o livre direito a masturbação. Seu programa teria uma câmera focada em seu rosto, enquanto ele emite grunhidos e fala algo sobre sua capacidade de gozar em 15 segundos. Poderia obter o voto dos jovens e ser acusado de genocídio pela bancada evangélica.

Quinze segundos também é um tempo considerável para se defender questões polêmicas. Oras, não há ninguém que seja contra saúde e educação de qualidade, exceção talvez a alguns colunistas da Veja. Todo mundo também quer segurança. Por outro lado, drogas, sexo não procriativo, são vários os temas que geram longos e prolongados debates entre os mais diversos setores da sociedade.

No entanto, discutir a legalização da maconha já é um tema batido. Porque não, discutir a legalização do crack? Apostar que a crackolândia pode trazer benefícios para o setor turístico e cenográfico. Não sei se você seria eleito, mas, com certeza, iria chamar bastante a atenção. Se você não for para a Assembleia Legislativa, talvez consiga ir para a próxima edição de A Fazenda.

Vocês sabem quanto custa uma inserção de dez segundos em pleno horário nobre da Globo? Quase 100 mil reais. Se você tem algum comércio, ou pretende vender alguma coisa, não tem negócio melhor. Talvez a propaganda seja retirada do ar após a primeira vez, mas você conseguirá finalmente vender aquele catálogo da Avon.

Você também pode não falar nada. Encarar a câmera por 15 segundos, como se fosse Ivan Drago prestes a triturar o Apollo Creed. Passe os 15 segundos gritando. Pergunte ao telespectador se ele sabe o que é o fist fucking. Explique que fist fucking é o ato de introduzir a mão, até o punho, dentro do ânus de outra pessoa e que é por isso que você pede o seu voto. Peça para não votarem em você. Diga que você quer defender os ideais de satã em Brasília. Simule um suicídio.

Diga que se você for eleito, você irá combater o programa do Luciano Huck e acabar com o Vídeo Show e cite dados fictícios de que desde que o Vídeo Show passou a ser transmitido, os casos de câncer de próstata aumentaram em todo o mundo e que isso não pode ser coincidência. Prometa acabar com a internet e criminalizar o iPhone 6. Todos os olhos do mundo estarão em você.

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