segunda-feira, 29 de setembro de 2014

E se o Orkut não acabar?

Como diria a filosofa Marli, não há para onde escapar, não há para onde correr. Senhoras e senhores, o Orkut vai acabar amanhã. O dia 30 de setembro de 2014 ficará marcado para a história como o último dia da existência deste mundo de sonho e fantasia. Quando setembro acabar e o vocalista do Green Day enfim acordar, todas as discussões, as 12 fotos, os constrangimentos, os coraçõezinhos que determinavam o quanto você era sexy, tudo estará demolido, apagado para sempre da história.
Como se esquecer desse e-mail? Receber um convite para entrar no Orkut era como ganhar na loteria.

O fato é consumado e você não poderá fazer nada contra isso. Como sempre, as grandes decisões são tomadas nos altos gabinetes, por executivos engravatados que nada entendem do sofrimento do povo na rua. Comendo hambúrgueres gourmets e tomando bons drinks, eles decidem o futuro da humanidade numa canetada sem medir as consequências. Por isso, contra burguês, vote 16.

A notícia do fim do Orkut provavelmente te levou até lá, caso você ainda não tivesse apagado todos os seus dados. Você viu seus depoimentos, percebeu que não recebe um scrap desde o seu aniversário em 2011 e que aquilo ali está mais abandonado do que rua de comercial de carro.

O que você talvez não tenha percebido, é que o fim do Orkut é mais ou menos como um fim do mundo. Sim, o fim da rosquinha azul é o mais próximo que chegaremos de sentir o que os dinossauros sentiram quando um meteorito caiu lá no Novo México. Pelo menos, até que um novo meteorito caía no Novo México, provocando o fim da humanidade.

Vocês sabem o que as pessoas fazem quando o mundo vai acabar, sim, sabem. Há uma música sobre isso que invariavelmente toca quando matérias sobre o assunto são feitas. Diante da notícia do fim da humanidade, as pessoas correm nuas pela rua, praticam pequenas e grandes contravenções, afinal, não haverá tempo para julgamentos. A humanidade inteira será dizimada.

O fim do Orkut, portanto, é uma ótima oportunidade de você agir loucamente sem ter que arcar com o ônus da consequência.

Comunidade da sua turma da faculdade no Orkut. Olha aí,
que bela oportunidade para cometer um crime
Imagino que nas últimas horas do Orkut, milhares de pessoas invadirão a página para deixar scraps inconsequentes. Eu sei que você entrará no perfil daquela sua colega de ensino médio e confessará os seus sonhos eróticos com ela. Que vai xingar o seu chefe, confessar os seus pecados. Viverá esse momento de libertação e expurgação dos seus demônios internos.

Mas e... e se o Orkut não terminar? Sim, conhecendo o humor do seu fundador, não podemos descartar a hipótese de Sérgio Mallandro ressurgir das cinzas anunciando uma pegadinha e que o Orkut na verdade não terminou, que era tudo uma estratégia de marketing para a venda de rosquinhas.

Aí sim amigos, aí sim teríamos um apocalipse. Quem conseguiria ir trabalhar no dia seguinte, encarar a rejeição da família e dos amigos?

Bem, acho que na verdade todo mundo. Diria que é provável que seu elogio a seios alheios feito no Orkut três anos atrás jamais tenha sido descoberto. Seus desabafos trabalhistas jamais foram vistos por ninguém. O Orkut já é uma cidade abandonada e, tal qual qualquer cidade abandonada, você pode andar nu por lá sem ninguém perceber. O Orkut chega ao fim e ninguém vai sentir sua falta. Triste realidade.

P.S: Em todo caso, o Google já anunciou que os usuários poderão fazer backups do seu perfil até o ano de 2016. E, todas as comunidades formarão uma espécie de museu virtual e este acervo poderá ser visitado, de alguma forma. Ótima oportunidade conferir quem comia quem naqueles joguinhos por lá.

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