quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Baile Punk

Uma realidade chocante. Uma cena que se repete todas as noites na periferia da maior cidade do Brasil e que a maioria das pessoas não conhece. A equipe de reportagem do CH3 foi até a Zona Oeste de São Paulo para mostrar a rotina dos Bailes Punks ilegais, que atormentam a vizinhança, destroem a família dos seus participantes e trazem transtornos para o poder público.

As denúncias chegaram até a nossa reportagem de maneira anônima. A vendedora Dorilene Bastos, nos telefonou e com voz de pato disse que mora perto de um galpão no Jardim Monte Verde, onde todos os dias um baile punk começa por volta das 23h30. "Eles tocam músicas pesadas a noite toda, sempre sai briga e gente vomitando na calçada, é um horror".

Seguindo as pistas dadas por Dorilene, fomos até o galpão especificado. Na porta, encontramos dois homens utilizando roupas pretas e tatuagens. Perguntamos para um deles se era ali que ocorria um baile punk. Ele nos encarou e tentou negar a informação. Repetimos a pergunta e ele começou a ficar irritado, ameaçando partir para a agressão física.

Tentei argumentar que eu queria participar do baile, mas isso não melhorou a minha situação. Só comecei a reverter o quadro quando comecei a cantar a letra de God Save the Queen, dos Sex Pistols. Ganhei a sua confiança quando citei a discografia inteira do The Clash, mostrei músicas do Ramones no meu celular e citei o nome de todos os integrantes do New York Dolls. Minha entrada foi liberada.

O cenário dentro do Galpão era insalubre. Uma banda formada por quatro rapazes de saia, ostentando cabelos moicanos e piercings no nariz, tocava músicas contra o sistema. Uma delas, muito atual, pregava o empalamento de todos os 11 candidatos a presidência da república. O quarteto maltratava seus instrumentos, claramente desafinados, com gritos recheando o espaço vazio.

Na plateia, a cena poderia assustar os mais inocentes. Ao som do quarteto, um grupo de cem pessoas se espancava sem dó. Quando a música terminava, eles riam, bebiam álcool e usavam drogas. A cena se repetiu durante as 15 músicas tocadas na meia hora de apresentação.

Em determinado momento, foi organizado um trenzinho punk. Homens de saia e sem cueca participavam da locomotiva da carnificina, como ele era chamado. "Você sabe o que um cara de saia e sem cueca quer num baile punk, não sabe?", me perguntou Deivid Alberto, 23 anos, motoboy de um supermercado em Pinheiros, que pediu para não ser identificado e usar o nome fantasioso de Ramon.

Disse a ele que não sabia, e ele me olhou com uma cara de quem deveria saber e não quis dar mais explicações. Perguntei a ele sobre o consumo de drogas e ele disse que isso acontecia. Perguntei o que a família dele achava disso e ele disse que não tinha família. Conclui que ele era uma fonte muito ruim e encerrei a entrevista.

Em determinado momento, notei a presença de uma mulher no Baile, a primeira da noite. Utilizando uma jaqueta de couro regata que deixava suas axilas peludas de fora, ele desceu o cacete em todos durante uma roda punk assustadora. Não pensei em entrevistá-la, com medo de apanhar.

Por volta das 2h30 da manhã, fui descoberto. Alguém denunciou que eu era um jornalista infiltrado no baile punk e eu fui perseguido. Me atingiram com uma cadeira na cabeça e eu desmaiei. Acordei horas depois, amarrado e com cortes espalhados pelo corpo. Me perguntaram a mando de quem que eu estava lá, se eu era um skinhead ou fã de Glam Metal. Encontraram uma música do Metallica no meu celular e me sentenciaram a morte por golpes de baixo na cabeça.

Foi assim que eu morri. Meu sangue foi utilizado para pixar muros e meu corpo foi abandonado no meio do galpão, onde segue sendo pisoteado até hoje. Agradeço a pai Jorginho de Ogum por incorporar meu espírito e me dar a oportunidade de dar o meu relato sobre esse cenário assustador.

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