segunda-feira, 11 de agosto de 2014

O Dia dos Pais de Pai Jorginho de Ogum

Os críticos mais azedos podem reclamar que o dia dos pais é apenas mais uma data comercial, criada pela indústria para vender produtos. Talvez seja verdade, e é provável que o Dia das Mães, dos Namorados, da Criança e até mesmo o Natal e a Páscoa sejam datas meramente comerciais. Será que Jesus Cristo nasceu e morreu na cruz servindo ao Deus Mercado e promovendo a venda de roupas e chocolates?

Mas o fato é que o Dia dos Pais existe e que boa parte das pessoas celebra a data, homenageando seus pais com fotos no Facebook, almoços em lugares superlotados e camisetas polo compradas na Riachuelo, aproveitando as facilidades de crediário que o estabelecimento oferece. Também há quem mande o pai a merda e aproveite a data para assistir desenhos japoneses subversivos, afinal a vida é vasta em opções.

Agora, como é o dia dos Pais daquele que é o pai do Passado, do Presente e Futuro? O senhor das trevas, da luz, das sombras e da penumbra? Do Pai da Matéria? Aquele que veio, viu, venceu e já sabia de tudo? Como Pai Jorginho de Ogum comemora essa data que está impressa em seu nome, em sua identidade, como se fosse uma ação definidora de caráter?

Pai Jorginho escolheu a roupa do Luxemburgo
Encontrei o mestre na sua residência, no Jardim Leblon, pacificamente assistindo o começo do jogo entre Flamengo e Sport. Contou que havia almoçado uma galinhada feita por sua mulher e que tinha certeza que o Flamengo iria vencer. Ele sempre tem essa certeza.

Perguntei como era o Dia dos Pais para ele, que era pai de tantas coisas. Neste exato momento um prato caiu no chão e se quebrou na cozinha e sua mulher praticamente se teletransportou para a sala, portando uma faca e perguntando que história era essa, que ela queria explicações. Jorginho se virou bem e contornou a situação em cinco minutos, mostrando que, assim que ele concluir o curso de Direito na Unic, será um ótimo advogado.

Pai Jorginho de Ogum me disse que para ele, esse é apenas mais um dia, igual a tantos outros, com a diferença de que sua filha – mundialmente conhecida por ser muito feia – o presenteia com camisas polo compradas no crediário da Riachuelo. Não é um dia de folga, é um dia de trabalho. “Quem é pai de santo, o é 24 horas por dia, sete dias por semana, 52 semanas ao ano, quantos anos forem necessários. Não escolhemos hora para trabalhar”.

Neste domingo, Jorginho recebeu centenas de pessoas em busca de um contato com o pai já falecido. O Mestre distribuiu autógrafos, bebeu cachaça e incorporou pelo menos 14 pais que já passaram dessa para melhor. “Eu substituo esses pais”, disse, com olhar maroto. Jorginho também passou o dia pendurado no telefone, encomendando galinhas, farofa, pipoca e cachaça para os seus fornecedores, que também não descansam nunca.

A noite, nosso pai de santo preferido colocou para funcionar a Casa de Diversão Noturna Carnicentas. Afinal, nem todo mundo tem filho para criar, família para cuidar e, os que têm, muitas vezes estão em busca de novidades. Além do mais, a noite é uma criança. Jorginho misturou drinques, contou piadas sujas, detalhou seu projeto de estrelar um show de Stand Up no palco do Carnicentas e ainda incorporou Odair José.

Quando resolvi voltar para minha casa, passei pelo Cão Leproso que deitava esplêndido embaixo de uma árvore com folhas secas. Parecia estar dormindo e fiz silêncio para não incomodá-lo. Mas, ele se levantou e disse para que eu esperasse. Falou que ia pegar um negócio. Quarenta minutos depois ele voltou, segurando (não me perguntem como) um par de óculos Oakley claramente falsificados com hastes azuis. Disse que eu deveria entregá-los para Vinícius Gressana, como uma lembrança para esse Dia dos Pais. “Eu nunca me esqueço dele”, disse.

Um comentário :

Gressana disse...

Eu só me pergunto como cê adivinhou que troquei meus óculos e que eram da Oakley...