quarta-feira, 30 de julho de 2014

Se eu fosse o dono de uma academia, inevitavelmente estaria falido

Quando eu comecei a frequentar academias de ginástica no ano de 2010, a música da moda era “I Gotta a Feeling”, do Black Eyed Peas. Ela tocava todo dia enquanto eu estava me exercitando, geralmente quando eu ainda estava na esteira. Com o tempo, eu passei a perceber a ordem do CD que logo depois teria uma música da Pussycat Dolls e outra da Beyonce.

Quatro anos depois, eu já estou em outra academia e é provável que os Black Eyed Peas já nem existam mais. Mesmo assim, vez por outra é possível escutar “I Gotta a Feeling” na sua versão bruta ou em algum remix. A jukebox também pode selecionar outras músicas com uma aura retrô, como My Humps dos já citados Black Eyed Peas, Promiscuous Boy da Nelly Furtado e até mesmo algumas coisas da Corona.

O curioso é que os responsáveis pelo som ambiente das academias não são adeptos de nenhum método shuffle. Eles preferem as idiossincrasias de uma coletânea Summer Electro Hits qualquer. Na minha academia sempre tocava um CD do David Guetta, tinha outro que tocava uma música do Maroon 5 seguido por uma da Katy Perry, tinha o do DJ Thiaguinho (The only one, the best, the beast), e, acreditem tem um que toca Millencollin e Green Day.

A academia é o melhor lugar do mundo, e talvez por isso seja o pior lugar do mundo, para se conhecer as novidades da música pop. Todas essas canções com batida dançante, efeitos sonoros e mulheres cantando como se estivessem no meio de um coito. Vez por outra, chegamos a clássicos como “What Makes You Beautiful” do One Direction e Roar da Katy Perry.

E é aí que eu quero chegar. Eu dificilmente seria um dono de academia, porque na minha academia é provável que eu não colocasse música nenhuma e dissesse que quem quisesse escutar música que trouxesse os seus celulares com fones de ouvido, muitas pessoas já fazem isso, não é mesmo.

Caso o som ambiente existisse, eu colocaria músicas bem depressivas para as pessoas malharem. Coisas como Holocaust do Big Star, ou Exit Music do Radiohead. Quem reclamasse, eu diria que era um estimulo, superar o ambiente externo em busca do resultado desejado – seja lá que resultado for. Colocaria apenas as músicas que eu gosto, como sempre faço nos meus aniversários e faria no meu casamento e veria as pessoas se decepcionando em busca de algo um pouco mais animado.

Mas, pensando bem, acho que eu não faria isso. Na minha academia iria tocar versões toscas de músicas da moda. O clássico de Nissim Ourfali tocaria todos os dias.


Essa menina cantando que é do Acre também seria presença constante.


Essa versão da Britney Spears iria aterrorizar todos.


Assim como essa brilhante versão de outra música da Katy Perry.


A redentora e pioneira Stephanie teria que estar na playlist.


Ainda escolheria covers incrivelmente mal cantados de músicas merda, como esse aqui.


E no final do primeiro mês eu estaria falido.

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