Breaking News! A morte do jornalista

Hoje é dia de dar parabéns a todos vocês, nossos caros amigos colegas, que estudaram jornalismo. Vocês perderam quatro anos de suas vidas. Ao invés de terem ficado quatro anos se matando na leitura de livros, fazendo trabalhos, se estressando com aquele professor chato, ao invés disso, vocês podiam ter ficado quatro anos pescando. Ou quatro anos jogando bola. Quatro anos soltando pipa.

Se vocês tivessem optado por isso, hoje teriam a mesma condição de conseguir um emprego em qualquer jornal. Sim aquele seu diploma, que você suou tanto pra conseguir. Use-o como apoio pra copo, como mouse pad. Veja se com ele é possível fazer um bom aviãozinho. Veja se há espaço para rascunho.

Exigir um diploma de jornalismo é um crime contra a liberdade de expressão, decidiram os ministros do supremo. Exigir diploma de jornalismo é a mesma coisa que torturar um oposicionista.

Como se não bastasse o salário ruim. As más condições de trabalho. Se não bastasse o que os donos de jornais decidem que vira notícia ou não. É a confirmação de que o jornalismo é a profissão mais banal do universo. Sim, afinal, todo site tem uma seção “você repórter”, mas nenhuma “você advogado”, “você cirurgião”. Acabou. Você jornalista empregado, cuidado. Qualquer momento poderá aparecer alguém disposto a trabalhar por 500 reais no seu lugar.

E eu... Eu queria construir prédios. Sou bom em cálculos, acho que lendo uns livros consigo construir um prédio perfeitamente. O fato de não poder assinar a planta de um prédio, ou de fazer uma cirurgia, ou de não me vestir com uma beca preta e sentar numa cadeira para deliberar sobre o que é constitucional ou não, não poder fazer tudo isso fere mortalmente a minha liberdade de expressão. Vou ali dormir, e pensar o que eu poderia ter feito de útil nos últimos quatro anos.

Comentários

em teste disse…
Ai Hanz... Esse texto foi tão dilacerador quanto A prática do Jornalismo. STF me acaba. Nessas horas é que devia sair discussão entre Gilmar e Joaquim. Ó vida. E mais: Gilmar comparou os casos do jornalista e do chefe de culinária. Assim como não se pode exigir um diploma de culinária de alguém que faça um prato em um restaurante, não se pode exigir o de jornalista.Como dois e dois são cinco.

Andreza
Zequias Nobre disse…
Vou usar meu diploma como papel higiênico...
Leidóca disse…
Post melancólico.
ainda estou em estado de choque
Gressana disse…
Caramba, velho!
Isso tem cara de carta de suicídio.
Não faça isso, não acabe com a sua vida! Ainda existem os concursos públicos para os frustrados, como nós.
Sim, eu também sou um frustrado.
Keila disse…
É somos frustado, mas eu garanto que com um ano de cursinho para concurso publico, uma boa leitura da constituição federal que compramos na livraria mais proxima, também podemos concorrer ao cargo de ministro do STF!!!
Adérito Schneider disse…
O pior não é fazer quatro anos de faculdade. Depois de usar uma roupa ridícula na colação de grau, você passa dias tirando fotocópias de documentos, peregrinando por aquela faculdade passando pela coordenação do nosso curso (que só abre quando todos os planetas estão alinhados), CAE, Casarão e o caralho, e ainda tem que esperar de 60 a 90 dias para seu diploma ficar pronto.
O meu deve ficar pronto daqui uns dias, mas o que eu vou fazer com ele (se for buscá-lo)? Talvez a sugestão do Zequias.... hahahaha!
Thiago Borges disse…
Gressana tem razão, ainda restam os concursos, pelo menos eles...se não der certo tem a prostituição, ou até mesmo a publicidade.
Mariana. disse…
Cargos de ministros do STF não são conquistados com concurso. (as vezes, é algo menos digno. As vezes).

E a profissão de cozinheiro não deveria ser desvalorizada por ninguém. Tirando lipador de banheiro público e piloto de testes de avião, nenhuma profissão é pior que as outras. Ou infinitamente melhor.
Guilherme disse…
é verdade Mariana. Acho que não devia ser desvalorizada não, tanto que no blog não foi citado em nenhum momento os cozinheiros.

Mas acho qeu devia ser respeitada, inclusive pelo presidente do STF. Ou acha que ele ao fazer a comparação com os jornalistas queria fazer um elogio?