O carnaval do CH3

Você provavelmente deve estar se perguntando o que nós do CH3 fizemos no carnaval, certo?
Não? Eu sabia. Afinal, quem que ia se perguntar uma coisa dessas?
Mas como esse blog é nosso, vamos falar mesmo assim.

O CH3 havia preparado uma grande surpresa. Há meses planejamos colocar a escola de samba Unidos do CH3 na avenida e fazer um desfile de inauguração colossal. Já tínhamos os carros alegóricos, as fantasias, os músicos, o samba-enredo, tudo. Já estávamos para entrar no incrível desfile das escolas de samba do carnaval do Porto. Infelizmente, na última hora, deu merda.

Estava já tudo pronto. Hanz era o responsável pelas fantasias. Acontece que só fomos ver o resultado pouco tempo antes do desfile. E as fantasias eram absurdamente constrangedoras. O único material usado foi o látex, e ficava colada no corpo e apertando os fundilhos. Era a coisa mais sado-masoquista que você pode imaginar. Aí começou a discussão, porque além dos dançarinos profissionais, os membros também iam usar.

Jorginho de Ogum previu uma tempestade na hora do desfile, o que felizmente não aconteceu. Na verdade, às vezes acho que Jorginho chuta a maioria das previsões. Lembro que ele foi no Gugu prever o resultado da Copa do Mundo de 1998, junto com a Mãe Diná e aquele vidente que parece a Hebe, Walter Mercado. Todos tinham dito que o Brasil seria penta ali naquele ano. Enfim, voltando. Jorginho ficou frustrado por ter errado a previsão do tempo, emburrou e voltou pra casa. "Continuem seguindo sem minha pessoa que sou eu", declarou. E de fato era o que faríamos.

Mas aí chegou o Cão Leproso e disse que esqueceu a cuíca. Não acreditamos que isso tinha acontecido. Ele ia liderar o desfile e ia fazer um solo de cuíca. Grande parte da alegria do desfile estava em suas mãos e ele havia deixado escapar. Marcão, o pedreiro, havia escrito o samba-enredo todo inspirado na cuíca. Era algo assim "Ô-lalá, ô-lelê, cê-agá, cê-agá no desfile, é alegria procê".

Nem precisa falar que Alfredo Chagas foi um dos principais motivos para acabar com o ânimo dos nossos foliões. Começou a jogar os dançarinos contra a equipe (que ele mesmo fazia parte), dizendo que era nossa culpa porque estávamos nos vendendo para o contra-sistema. Muitos debandaram na hora. Alguns atiraram objetos. Guilerme perdeu a paciência e saiu na porrada com Chagas. Foi difícil separar os dois.

Com tantos golpes no moral da escola, não tivemos outra opção a não ser abandonar o desfile pouco antes de entrarmos na avenida. De certa forma foi um alívio, pois foi quando o tumulto começou e vimos voar sangue pra todo lado. Facadas, tiros, porrada, muita gente não escapou da folia no Porto.
Decidimos vender o carro alegórico como sucata e até ganhamos um bom dinheiro. Mas Tackleberry fugiu com tudo para Tangará, onde aproveitou um bom descanso na cachoeira Salto das Nuvens.

Comentários

Guilherme disse…
sinceramente...
... eu não fiquei triste com isso.
Maíra Matos disse…
Que fiasco, hein? bom seria guardar toda a grana que foi gasta pra passar o carnaval em Paranabala...
Thiago Borges disse…
não se preocupem que dei um bom fim à grana