No último dia 12 de abril o povo peruano foi às urnas para escolher o seu novo presidente. Nos últimos dez anos os nossos vizinhos andinos foram vitimados por uma grande instabilidade política. Neste período, oito pessoas ocuparam o cargo máximo da República. Três sofreram impeachment, dois renunciaram e um foi censurado. Houve ainda uma tentativa de golpe de Estado e um ex-presidente cometendo suicídio para não ser preso.
Diante deste cenário caótico, que faz com que o Rio de Janeiro pareça o berço da tranquilidade institucional, 35 candidatos colocaram seu nome na disputa. Isso mesmo, são 35 pessoas dispostas a terem muita dor de cabeça nos próximos anos. São tantos nomes, que é praticamente impossível conhecer todos os pretendentes.
Há um ex-goleiro do Alianza Lima, um neurocirurgião e um candidato que morreu durante a campanha. Isso não impediu que Napoleón Becerra superasse os 10 mil votos e ficasse em 34º lugar na disputa. Sim, um cidadão teve menos votos que o defunto.
Vamos a alguns dos principais nomes:
César Acuña: ex-governador de Trujillo e empresário do ramo da educação. Ele fundou a Universidade César Vallejo - que tem uma equipe de futebol que já pode ter jogado contra o seu time em uma Copa Sul-Americana. Era um dos favoritos nas eleições de 2016, mas foi acusado de plágio no seu mestrado e no seu doutorado. Também teria copiado um dos seus livros sobre educação. Foi cassado por compra de votos e investigado por lavagem de dinheiro. Voltou a ser governador e declarou que foi “pessoalmente chamado por Deus”, ocasião em que Deus teria dito que está ao lado de Acuña e que faria justiça contra todos os seus adversários. Deus ainda não confirmou essa conversa.
Carlos Álvarez: comediante e apresentador de TV. Ele ficou famoso por imitar seus rivais, inclusive nos debates. Tem como principal proposta de governo a execução sumária de criminosos.
Ricardo Belmont: empresário e dono de canais de televisão. Já foi prefeito da capital Lima nos anos 90. Curiosamente, ganhou essa eleição após dar calote em 56 mil pessoas que compraram ações do seu canal de TV no fim dos anos 90.
Roberto Sánchez Palomino: foi ministro de Pedro Castillo, o ex-presidente que sofreu impeachment após tentar dar um golpe de Estado e que hoje está preso. Pretende anistiar seu ex-chefe e teve como grande ato de campanha uma aparição no centro de Lima montado em um cavalo. Ele usava um chapéu que lhe foi presenteado por Castillo.
Rafael López Aliaga: Ex-prefeito de Lima. Empresário do ramo ferroviário, é conhecido por ser membro da Opus Dei e por declarar que não faz sexo desde 1981. Ele também se autoflagela todos os dias. Veja bem, não é de vez em quando, mas sim TODOS OS DIAS. Ele faz isso utilizando um cilício metálico. Com o psicotécnico em dia, sua principal proposta é enviar criminosos para prisões na selva peruana, cercados por serpentes venenosas. Não se sabe se as cobras estão dispostas.
Keiko Fujimori: Apenas a filha de um ex-ditador. Ela já foi primeira-dama do Peru quando seu pai era ditador - isso porque a mãe acusou o pai de sequestro e tortura.
O processo de apuração está caótico e não sabemos se um dia ele será finalizado. Os prognósticos indicam que Keiko estará lá, enfrentando ou o cara do chapéu ou o celibatário que se autoflagela. Boa sorte ao povo peruano!


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