segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Cheques Gigantes

Ao conquistar o título do US Open na noite deste domingo, o sérvio Novak Djokovic levou para casa um troféu e o prêmio de uma caralhada de dólares. Mais do que o valor, o que chamou a atenção foi a maneira como o prêmio foi entregue: um cheque. Sim, um singelo envelope contendo um cheque assinado sabe-se lá por quem, preenchido com os valores milionários.

Impressiona que em pleno 2015, com internet e diversas formas de movimentar dinheiro, que alguém tenha que preencher um cheque de 3 milhões de dólares e entregar para um jogador, que sai da quadra com aquele pedaço de papel caro. Será que ninguém tinha como pegar a conta do Djokovic e transferir o dinheiro para lá? Bem mais fácil para todo mundo.

Se eu fosse o jogador, eu não aceitaria o prêmio. Nos tempos atuais é difícil arrumar um lugar que aceite pagamento por cheque, os que aceitam, geralmente só o fazem mediante um cadastro interminável que exige inclusive exame de DNA. E para piorar, o cheque entregue ao tenista foi um cheque normal, desses que as pessoas destacam do talão. Nem foi um daqueles cheques gigantes.

O cheque gigante deveria ser uma das principais instituições da família brasileira. É um clássico dos torneios de vôlei de praia, torneios na praia em geral disputados durantes os Jogos Mundiais do Verão, e do Domingão do Faustão. O cidadão ganha um prêmio de vinte mil reais, ou 500 mil reais, e recebe aquele cheque gigante, do tamanho de uma porta com os valores assinados.

Sempre imaginei o que é que acontece com esse cheque depois. Imagino que ele não é aceito no comércio. Não dá para você ir a uma loja de material de construção, comprar vinte mil reais em produtos e na hora do pagamento tirar aquele cheque do porta malas e perguntar se tem troco.

Deve ser ainda mais difícil conseguir fazer o depósito no banco. Eu nunca tentei, mas imagino que seja bem difícil conseguir colocar aquele trombolho dentro do espaço destinado a envelopes no caixa eletrônico. No mínimo você vai ter que ir até o caixa convencional - após parar o seu carro longe (todos nós sabemos que é difícil arrumar estacionamento para bancos [e não imaginamos que você queira ir de ônibus com aquele cheque enorme ocupando um espaço danado {se a prática fosse comum, acredito que algum vereador criaria um lei proibindo o transporte de cheques gigantes em transporte público}]) - e ficar naquela fila enorme esperando sua vez. Não sei, alguém poderia contar como é essa experiência.

O banco também deve ter uma dificuldade enorme para armazenar esses valores. Imaginem-nos abrindo o cofre para colocar um cheque gigante lá dentro. O carro forte chegando e recolhendo o enorme retângulo. Com sorte, o cheque gigante pode ser usado como escudo em caso de tentativa de assalto.

Tudo bem, você pode dizer que esses cheques são meramente simbólicos e que ninguém os utiliza no comércio, seu escroto sem graça que tem a mania de tentar esfregar as orelhas nos testículos.

Imagino então a casa dos esportistas multicampeões dos JMV. O tanto de cheques gigantes que eles têm pela casa. A Adriana Behar e a Shelda devem ter cheques pregados nas portas dos quartos, grudados nos tetos, pendurados nas paredes, viraram tampo de mesa. Definitivamene não deve ser fácil guardar um cheque gigante, entre outras coisas, porque não sei de que material eles são feitos.

Mas, mesmo assim, acredito que os cheques gigantes deixariam o mundo mais divertido, caso fossem finalmente adotados como moeda oficial. O dia do pagamento na firma seria muito no mínimo curioso, assim como as ferramentas de transparência, já que saberíamos quanto cada um ganha. Acho que coibiria até os assaltos, porque como é que alguém foge carregando um cheque gigante? Não dá.

Seria uma moeda alternativa mais eficiente do que os cigarros no presídio, ou que os chicletes na escola, espelho para índios.

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