quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Fobias Infantis

O CH3 já realizou um histórico podcast sobre fobias, os medos insanos que as pessoas têm. Um mundo louco e perverso, no qual cidadãos de bem desenvolvem medo de serem observados por patos, de lugares amplos ou de lugares fechados, ou das duas coisas ao mesmo tempo e muito mais, num raro caso de fobia de tudo.

No entanto, não abordamos as fobias infantis. Bem, no caso não significa o medo de criança - conhecido como pedofobia - mas o medo que crianças têm. Elas têm muitos medos, vários deles completamente irracionais e inexplicáveis numa visão superficial.

Um medo tradicional das crianças é o medo de palhaços. Essas agradáveis figuras de rosto pintado e gestos extravagantes deveriam divertir os pequenos, mas não é isso que acontece geralmente. Imagine que você é uma criança, que conhece pouco da vida e que reconhece como seres humanos pessoas normais, que não tem o rosto pintado e usam roupas discretas. Imagine encontrar um cara com o rosto branco, peruca colorida, boca e nariz vermelhos, adornados por uma roupa espalhafatosa. Só pode ser um extraterrestre, um monstro, não dá para agir normalmente ao ver um bicho desses. Isso explicaria também porque muitas crianças choram quando vão tirar fotos com o Papai Noel, a lógica é a mesma.
O medo de papais noéis também pode ser explicado pelo fato de muitos estabelecimentos insistirem em utilizar papais noéis completamente assustadores, como esse daí da foto. Com certeza esse cara é do tipo que se masturba no porta-mala

(Há também outra explicação para o medo de palhaços entre as crianças. Havia um filme com palhaços assaltantes que passava na Sessão da Tarde. A melhor forma de traumatizar crianças. Culpa dos editores da Globo que só olham a capa e pensam “filme com palhaço, as crianças vão adorar” e traumatizam uma geração. A mesma coisa que levou muitas pessoas a terem fobia de excursões infantis, graças ao filme “Enchente: quem salvará nossos filhos”).

O medo do escuro também é tradicional. Imagine, as coisas são feitas no claro. Mas, por alguma razão inexplicável em um determinado período do dia as luzes são desligadas e tudo fica escuro. Isso não é normal. Talvez você sinta vergonha, mas saiba que você não era o único: boa parte das crianças ficava escondida embaixo do lençol, na expectativa de que isso as protegesse dos perigos da escuridão. Sim, por alguma razão, o rosto poderia ficar de fora. (Essa razão deve ser fisiológica: a respiração).

Agora, falo de um medo meu que eu sempre me lembro nessa época de carnaval. Eu tinha absoluto pavor do mestre sala e da porta bandeira. Não sei o que é, mas lembro que eu era criança e nos intervalos da Rede Manchete eram exibidos os sambas enredos, sempre com o mestre sala e a porta bandeira rodopiando para lá e para cá e eu não gostava de ver. Acho que as fantasias espalhafatosas me assustavam. Não era normal ver aqueles pavões humanos ao som de um samba indecifrável.

Olha essa cara de quem esconde cadáveres no porão
Eu também sentia um pavor de perucas. Sabe aquelas perucas bizarras, brancas, que sempre aparecem em representações de juízes, ou em filmes históricos? Achava terrível. Detestava ver filmes da época do Mozart por conta das perucas. Até hoje, acho Amadeus, filme ganhador de Oscar, péssimo. Muito provavelmente por conta das perucas.

Não vejo uma explicação racional para isso. Os psicólogos talvez encontrassem alguma coisa, Freud diria que meu desejo reprimido de comer minha própria mãe fez com que eu desenvolvesse essa fobia infantil, assim como o palhaço assusta muita gente. Espíritas diriam que na minha vida passada eu tive algum problema com pessoas que usavam perucas brancas, mas eu acho difícil. Eu não era o único com esse medo.

Existia uma comunidade no finado Orkut que comprovava isso: ela reunia pessoas com medo do velho da Quacker. Qual o motivo para esse medo, que não a peruca branca que esse velho maldito usava?

Um comentário :

Gressana disse...

Eu tinha medo de pastores alemães. Qualquer outro cachorro, por maior e mais feroz que fosse, não me metia medo. Só pastores alemães.