quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O Arremesso de Vegetais

Ao longo da história, dezenas de pessoas já foram vítimas de tomates arremessados por populares em fúria. Se alguém está se apresentando em um palco, já está correndo o risco de ser atingido por um tomate disparado por alguém descontente com essa situação. Outra boa alternativa é arremessar ovos, principalmente se eles estiverem podres, mas o tomate adiciona um charme patético a cena.

No entanto, a vida dos populares descontentes se complicou no último ano. Todos nós sabemos que o tomate foi uma das principais vítimas da inflação – alguns dizem que a inflação é que foi vítima do tomate, num processo que professores de economia poderiam explicar. A fruta virou a piada popular da internet durante um mês, mas o seu preço jamais voltou aos patamares de outrem.

Assim sendo, com o seu intuito apocalíptico de ajudar toda e qualquer exaltação popular, o CH3 realizou uma pesquisa na tentativa de encontrar alternativas para o tomate. Fomos até uma feira popular ao lado do pesquisador colombiano e restaurador de geladeiras, Alfredo Humoyhuessos. O objetivo era testar outros vegetais que poderiam ser arremessados contra pessoas.

Começamos com o bom e velho tomate, para entender a magia que esse momento proporciona. Com um sinal, Alfredo ordenou que seu ajudante arremessasse um tomate contra uma cobaia. Redonda, a fruta é de fácil manuseio e mantém uma trajetória constante até atingir o alvo, com boa velocidade. O tomate se amassa todo, deixando manchado o peito do cidadão atingido.

Na sequência, o teste foi realizado com um ovo, que se espatifou no nariz da cobaia. Alfredo notou que, com sua forma oval, o ovo descreve uma trajetória inconstante, trazendo menos precisão para o ato. É preciso utilizar mais força no arremesso e o ovo se parte ao atingir o alvo. Essa é uma certeza que acompanha a ovada, enquanto que a tomatada deixa dúvidas e a graça da vida está justamente nas dúvidas.

O formato redondo é fundamental para que um vegetal obtenha sucesso no seu objetivo de atingir uma pessoa. Isso ficou provado quando uma banana foi arremessada contra a cobaia. A banana não chegou a se partir, mas percorreu uma trajetória giratória que pode fazer com que o arremesso saia completamente de controle. Além do mais, atirar uma banana em alguém pode configurar ato de injuria racial, com pena prevista de até três anos de prisão.

O tamanho também é importante. Alfredo demonstrou isso arremessando uma uva contra a cobaia. Como o atingido não era o José Serra, a uva não chegou sequer a arranhar a vítima. Arremessar um cacho de uvas não se mostrou mais efetivo, além de ter feito uma sujeira danada. O máximo que poderia ter acontecido é que um dos galhos do cacho acabasse por cegar o indivíduo alvo do arremesso.

Por outro lado, frutas maiores também não são boas. Fizemos um exemplo com uma melancia. Extremamente pesada, a fruta já é difícil de ser escondida, é bem difícil entrar com uma melancia dentro de um teatro, por exemplo. Também não é fácil levantar a fruta e arremessá-la. Nosso ajudante sofreu bastante. Além disso, o peso da fruta acabou matando a nossa cobaia, configurando um homicídio doloso – quando há intenção de matar, que pode acarretar em uma pena bem grande que pode ser pesquisada no Google.

Enquanto aguardávamos a chegada da perícia e da polícia, realizamos um teste com um coco, que acabou matando uma segunda cobaia, complicando bastante a situação do nosso ajudante. Enfim, a ciência muitas vezes deixa vítimas pelo caminho. É um preço a se pagar.

Acabamos por descartar realizar um teste com um melão e definimos que o tomate tem um tamanho ideal. Passamos a testar outras frutas. Laranjas e limões são duros demais e o limão ainda pode manchar a pele. Maçã também é dura, cebola é dura e tem um cheiro forte, o maracujá quase chegou lá, mas aquela história de ele parecer meio oco dá uma sensação ruim na hora do arremesso. Assim como o pelo do Kiwi.

Parecia que nada iria igualar o tomate, mas logo chegamos a alguns resultados. A ameixa tem um bom tamanho, um peso razoável boa consistência e ocupa uma faixa de preço bem próxima ao tomate, dependendo da sua localidade. A goiaba também é uma boa alternativa, diria que ótima. Só que ela está um pouco cara, então, só opte pelas goiabas caso você tenha acesso a um pé da fruta.

Também há a hipótese do caqui, que é praticamente um tomate que deu errado, frutas irmãs que foram separados em algum momento pela evolução darwiniana. No entanto, ele também passou por uma safra ruim elevando o seu preço.

Assim sendo, o tomate continua sendo a fruta ideal para arremessar em pessoas que mereçam ser atingidas por alguma coisa. Compare sempre com o preço do caqui e tenha goiabas e ameixas como alternativas. Evite morangos, batatas e – acima de tudo – evite as jacas. Além de pesadas, difíceis de manusear e certeza de morte instantânea, as jacas podem se partir e uma jaca partida adquire um visual extremamente nojento, fazendo que o homicídio se torne culposo e triplamente qualificado, por motivo torpe e de maneira nojenta. A pena para isso é bem severa.

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