The Farsa Voice Brasil

Assisti apenas um episódio do famigerado The Voice Brasil no ano passado. No entanto, isso não me impede de ter uma opinião enfática e totalmente esclarecida de que o programa é uma farsa. Para piorar, uma farsa insuportável de se assistir.
Se há um jeito do programa melhorar? Sim. Quatro balas.

Vamos dizer que o ar teatral do programa é de dar ânsia de vômito. Nenhum ser humano decente, que pague suas contas em dia, consegue assistir a Cláudia Leitte apertando o botão dos escolhidos apenas com o pé. Mas, Claudinha para os íntimos, nem é a pior de todas as coisas do programa. Nem o Daniel, que é uma figura inútil.

O que pode ser pior do que o Lulu Santos interpretando o papel de bicha emotiva e espantada? O que pode ser pior do que suas caras e bocas na hora em que alguém canta bem ou mal? Carlinhos Brown. Ele é esse mal.

No único dia em que eu assisti ao programa tive o desprazer de ver o inventor da Caxirola, anunciando o seu voto de quem não seria degolado no programa. Durou uns 55 minutos, tempo no qual ele filosofou, tocou berimbau, improvisou um campeonato de repente, plantou bananeira, passeou pelo público incentivando o grito da galera. Um tempo em que eu passei a admirar o cidadão que atirou uma garrafa de água nele durante o Rock in Rio de 2001. Queria estar eu, ali, naquele momento, armado com garrafas, quiçá garrafões de água.

E para mediar tudo isso, Tiago Leifert, o responsável pela idiotização do jornalismo esportivo, pela joãosorrização da sociedade. Sua função é chamar os comerciais e tentar encaixar uma piadinha ou outra, nos poucos minutos de atenção que lhe restam.

Mas, se há a farsa da teatralização, há ainda a farsa dos concorrentes. O The Voice não premia necessariamente o melhor cantor, mas aquele que tiver mais capacidade de mobilizar as pessoas na internet, uma vez que o voto popular define o ganhador. Os participantes criam verdadeiras guerrilhas em suas cidades de origem, para garantir o seu avanço nas fases.

Lembro que no único episódio do programa que eu assisti, em 80% dos casos, a pior atração venceu graças a internet. Havia uma cantora lá da Bahia, que fez uma apresentação horripilante da pavorosa canção “Amor e Poder” e passou. Ela esganiçava ao longo da música, mas foi a escolhida porque era divertida e gritava “PÁ” o tempo todo, como se fosse uma espécie de tique nervoso.

Também ainda há a farsa sobre a vida dos ganhadores. O vencedor do The Voice irá ser esquecido em um prazo de três meses, assim como o vencedor do Fama, do Ídolos, de sei lá mais qual programa.

Nesse mundo do download fácil na internet, quem irá comprar um disco ou ir em um show de uma pessoa que apenas interpreta canções de outros? Para que pagar para um negócio que você escuta de graça (em alguns casos, pagando para não escutar) em praças de alimentação de shopping?

Não há resposta, tudo é uma farsa.

Comentários

RoJi disse…
Esqueceu de citar a farsa dos arranjos nas vozes, ou seja, o uso exagerado e enganativo do recurso tecnológico para correção vocal chamado "Auto-tune".

Só não chega a ser pior de como usam ele exageradamente em vozes de crianças naqueles concursos do Raul Gil.

E a nação acredita no que vê, e no que escuta!
Lauren Luz disse…
Nem sempre são esquecidos, está ai a Thaemy que participou e foi vencedora de um concurso desses e está sendo conhecida, gravando seus cd's e tudo o mais.
Fazer o que se no pais do faz de conta pode tudo né? nós vamos concertar??