Festa do Cabide: da teoria a prática

Começarei este texto de maneira diferente. Antes de qualquer coisa vamos ao significado das palavras.
Festa: Do latim festus, ou seja, pessoas enlouquecidas celebrando qualquer coisa, desde que elas tenham álcool ou brigadeiros.
Cabide: Ponta direita do Bangu na década de 50, ou objeto de design avançado que serve para se pendurar roupas.

Portando a festa do cabide é uma celebração enlouquecida do design? Bem, não, vamos explicar melhor. O sentido léxico não faz muito sentido, não é como a Festa do Sinal em que o nome vem do inglês (Sin: pecados e All: todos). Mas se pensarmos mais um pouco poderemos chegar à brilhante conclusão que é uma festa em que as pessoas utilizam os cabides com fim de entretenimento. As roupas ficam penduradas em cabides. E as pessoas entram completamente nuas. Tende a terminar em suruba.

As origens
A festa do cabide teve origem no paraíso. Ou pelo menos seu conceito. Certo que eram meio monótonas porque tinham apenas dois participantes, uma maçã e uma cobra safada, sem duplo sentido. Infelizmente as roupas ainda não haviam sido inventadas para que elas pudessem ser penduradas. Mas a verdadeira origem é na Mesopotâmia. Porque vocês sabem, tudo teve origem na Mesopotâmia. Durante o Império Romano, certa vez Nero resolveu fazer uma festa do cabide. Ao saber que o cabide ainda não havia sido inventado ele mandou que a cidade fosse incendiada.

Durante a Idade Média eram realizadas dezenas de festas do cabide. Mas não era com a conotação que nós temos hoje. Na época os cabides eram usados durante a festa. Entendam o que vocês quiserem. Os portugueses trouxeram cabides para presentear os índios brasileiros. Só que os indígenas não usavam roupas para serem penduradas. Após anos de desencontros, hora ideológico, hora político, a primeira festa do cabide foi realizada em 1981. Sem dúvida o maior legado que os anos 80 proporcionou, além dos filmes do Stallone.

Muitos teóricos já teorizavam sobre a festa. Marx era contra. Tanto que até hoje os comunistas não participam delas. Até porque eles também são feios e não tomam banho, portanto nunca são convidados. A Escola de Frankfurt dizia que todo mundo era receptor passivo, e isso sempre gera muita confusão nesses tipos de festa. Já Althusser chegou até a citar o Aparelho Ideológico do Cabide. Sabe-se lá o que ele queria dizer com isso, mas dizem que ele matou sua mulher a cabidadas.

Como Organizar
Bem, tudo fica muito mais fácil se você for dono de uma loja de roupas. Se você trabalhar na Riachuelo ou C&A, talvez você possa pegar alguns escondidos e colocar embaixo da sua camiseta. Se te pegarem, diga que você confundiu com o seu sutiã. Se você for homem, vai ser mais complicado. De qualquer maneira arrume a maior quantidade de cabides que você puder. Pegue emprestado com os amigos se for o caso. Não se esqueça dos cabideiros também, ou se for o caso improvise varais com arame, de preferência que não seja o farpado.

Cuidado com os convites. Quando perguntado sobre quantas pessoas foram convidadas nada de responder “com você e sua mulher já somos três”. Isso afugenta as pessoas. Menos os danados, claro. Cuidado com os amigos dos amigos e tenha preferência por aqueles que sabidamente não tem doenças venéreas.

Como se comportar
Mantenha a educação oras. Certo que o mais difícil é não ter bolsos para colocar a mão, mas nada de ficar cutucando as pessoas, porque isso pode gerar conflitos. Ao se deparar com uma ereção mantenha a classe, diga “opa, mais alguém chegou pra festa”. Talvez até sirva para descontrair o sempre tenso ambiente de uma festa do cabide.

Quando for abordar uma mulher, nada de piadas rapaz. Não diga “bela camisa” ou coisas assim. Você poderá tomar um tapa no rosto ou até quem sabe, um chute no saco, muito mais dolorido.

Situações constrangedoras
Numere bem os cabides e faça com que as pessoas guardem o número do cabide em que ela deixou suas roupas. Nada mais chato do que ver pessoas pegando as roupas dos outros. Sempre vai ter alguém que ira trocar sua camisa Hering por uma da Ellus. É algo parecido com aquele cara que leva Nova Schin para uma festa e toma a Skol dos outros.

Certo que ai tem outro problema que é onde as pessoas vão guardar o papel com o número do cabide visto que elas não terão roupas e consequentemente bolsos. Claro, isso se nenhum canguru for chamado para a sua festa. Guardar os papeis em orifícios corporais poderá ser constrangedor para excitações futuras. Talvez seja melhor então marcar as pessoas com pincel atômico, claro que sempre tomando muito cuidado com as piadas de mau gosto nessa hora. Claro, evite que haja outros pinceis atômicos dentro da casa, para evitar as falsificações. Não aceite desculpas como “ah isso aqui é um consolo”.

O pós festa
No dia seguinte quando você acordar, isso é, se você acordar olhe bem para o chão onde você ira pisar. Olhe bem para as paredes também. Também olhe para as portas enfim, para qualquer lugar, o ambiente poderá estar bastante escorregadio. Mas então, é hora de devolver todos os cabides, claro.

Conclusão dialéticaComo é dialética são duas, claro.
1) Festa do cabide é legal, diverte as pessoas e nos torna cidadãos mais livres enquanto seres humanos.
2) Festa do cabide uma putaria sem limite. Isso não é coisa de deus.

Comentários

Carlo Gressana disse…
Hahahahahahahahaha!!!
"Opa, chegou mais alguém pra festa". Boa, nunca tinha usado essa.
Enfim, dito tudo isso, podemos organizar uma festa do cabide já!
Comunico que meu novo prédio tem um salão de festas que é ideal para uma festa do cabide.